Resumo
- ChatGPT, Grok e Gemini criam rankings de candidatos à Presidência, contrariando regra do TSE.
- A Resolução nº 23.755 proíbe provedores de sistemas de inteligência artificial de ranquear, recomendar ou sugerir candidaturas durante as eleições.
- Nos testes, as ferramentas apresentaram resultados variados conforme critérios próprios, após solicitações simples.
ChatGPT, Grok e Google Gemini apresentaram rankings de candidatos à Presidência da República após solicitações simples feitas diretamente aos chatbots. A prática chama atenção porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe que provedores de sistemas de inteligência artificial ranqueiem, recomendem, sugiram ou priorizem candidaturas durante as eleições de 2026.
A informação foi inicialmente divulgada pelo portal JOTA. Nos testes realizados pelo Tecnoblog, as três ferramentas também produziram rankings, mas as respostas variaram conforme o comando utilizado. Em uma pergunta mais ampla sobre os programas dos cinco principais candidatos, os chatbots chegaram a resultados semelhantes. Ao restringir a análise a áreas específicas, como saúde e economia, as posições mudaram.
O procedimento foi padronizado: o mesmo prompt foi utilizado nas três ferramentas para permitir a comparação das respostas, em contas novas. ChatGPT e Grok apresentaram um sistema próprio de avaliação, atribuindo notas de 0 a 10 aos candidatos. O Gemini não atribuiu notas, mas organizou os candidatos em ordem de preferência.



TSE proíbe que IAs façam ranking de candidatos
O resultado entra em conflito com uma regra específica da Justiça Eleitoral. A Resolução nº 23.755, aprovada pelo TSE em março deste ano, alterou as normas de propaganda eleitoral e estabeleceu restrições para sistemas de IA oferecidos por provedores de aplicações de internet.
O texto determina que esses provedores não podem, ainda que isso seja solicitado pelo usuário, “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar” candidatas e candidatos, campanhas, partidos, federações ou coligações. A regra também vale para respostas automatizadas que indiquem preferência eleitoral, recomendem voto ou produzam favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral.

Um chatbot pode, por exemplo, reunir as propostas de diferentes candidatos sobre determinado assunto. Já transformar essas informações em uma classificação sobre quem seria o melhor nome para aquela área se enquadra nas funcionalidades expressamente vedadas pela resolução.
A norma faz parte de um conjunto de regras criado pelo TSE para disciplinar o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral. A mesma resolução estabelece obrigações de identificação para conteúdos sintéticos produzidos ou modificados com IA e prevê planos de conformidade para provedores de aplicações.
IAs descumprem regra do TSE e mostram ranking de candidatos às eleições










