Na noite de quinta-feira (27), a Lua começará a atravessar a sombra da Terra, dando início a um eclipse lunar parcial que seguirá madrugada adentro. Embora tecnicamente não seja total, o evento terá uma aparência bastante próxima disso: mais de 96% do disco lunar ficará mergulhado na parte mais escura da sombra terrestre.
Isso significa que a maior parte da Lua ficará escurecida, enquanto apenas uma estreita faixa continuará recebendo luz solar direta. Essa pequena porção iluminada é o suficiente para impedir a classificação do evento como eclipse total — e também altera o visual do astro durante o auge do fenômeno.
Segundo o astrônomo amador Marcelo Domingues, “caçador de eclipses” e membro do Clube de Astronomia de Brasília e da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (Bramon), ao se aproximar da cobertura máxima, a Lua vai quase desaparecer e ficar levemente avermelhada. “Mas não vai ser igual a um eclipse total, porque mesmo esses 4% ou 5% dela que ainda vão estar visíveis são suficientes para ofuscar boa parte dessa vermelhidão que a gente observaria num eclipse total da Lua”.
Eclipse será visível em todo o Brasil
O Brasil estará em uma posição especialmente favorável para acompanhar o espetáculo. A Lua permanecerá acima do horizonte durante toda a fase principal, permitindo observar tanto o avanço da sombra quanto a sua retirada. Além disso, o satélite estará bastante elevado no céu, o que facilita a visualização mesmo em locais com prédios ou árvores próximas.
De acordo com Domingues, a experiência será a mesma em todo o território nacional. “O eclipse vai ser visível em todo o Brasil. Vai depender só do clima. Então, em todo o país ele vai ser visto exatamente igual e ao mesmo tempo”, destaca.

A altura da Lua no céu vai variar entre 59 e 85 graus, dependendo da região. Nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o astro poderá ficar próximo do ponto mais alto do céu durante a madrugada. Já no Sudeste e no Sul, a orientação para a observação é olhar na direção norte.
Por que a Lua fica avermelhada?
A coloração avermelhada que pode surgir no disco lunar é provocada por um efeito óptico da nossa própria atmosfera chamado refração – o desvio que os raios de luz sofrem ao passar do vácuo do espaço para as camadas de ar do planeta.
Quando a luz do Sol passa rente à borda da Terra, a atmosfera atua como se fosse uma grande lente. Ela curva os raios solares e os projeta em direção à Lua, mesmo ela estando atrás da sombra do nosso planeta. Nesse trajeto pelo ar, os tons azulados se espalham em todas as direções, enquanto apenas a luz vermelha e alaranjada consegue atravessar a atmosfera, fazer essa curva e iluminar a superfície lunar.
O processo é idêntico ao que deixa o céu avermelhado durante o pôr do Sol. A intensidade das cores também depende das condições do ar no momento: poeira, fumaça, umidade e poluição podem alterar a quantidade de luz transmitida e a tonalidade observada no céu.

Horários do eclipse
No horário de Brasília, o evento segue o cronograma:
- 22h23 (27/08): Início da fase penumbral. É uma etapa discreta, em que a Lua perde um pouco de brilho, mas pode passar despercebida.
- 23h33 (27/08): Início da fase parcial. A sombra mais escura da Terra (umbra) começa a cobrir claramente o disco lunar.
- 1h12 (28/08): Máximo do eclipse. Momento de maior cobertura, com cerca de 96% da Lua mergulhada na sombra.
- 2h52 (28/08): Fim da fase parcial. A sombra escura deixa totalmente a superfície da Lua.
- Pouco depois das 4h (28/08): Encerramento definitivo da fase penumbral.
Como observar o fenômeno
Diferentemente dos eclipses solares, os eclipses lunares podem ser observados diretamente, sem necessidade de óculos especiais ou filtros de proteção. Equipamentos ópticos também são opcionais.
“Para observar um eclipse lunar você não precisa de telescópio, pode ver a olho nu desde o início até o fim. Se você tiver telescópio, consegue ver as crateras e tudo mais entrando na sombra da Terra. Também é possível perceber que a sombra da Terra é como se fosse um gradiente de sombra, ela não é uma sombra sólida”, explica o especialista.
A poluição luminosa das grandes cidades não atrapalha a visualização da Lua, embora locais mais escuros sejam preferíveis para fotografar. O único fator determinante para o sucesso da observação será o tempo: nuvens densas, chuva ou neblina podem encobrir o céu e bloquear a visão.

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Quando será o próximo grande eclipse lunar no Brasil?
Vale a pena reservar a madrugada para acompanhar o evento desta semana, pois um fenômeno de grande porte visível do país vai demorar para acontecer novamente.
Segundo Domingues, o próximo eclipse de grande destaque visível no Brasil ocorrerá apenas em junho de 2029. “Esse eclipse vai passar bem no meio da umbra, ou seja, vai ser um eclipse total. E vai ser um eclipse muito grande, ele vai durar mais de uma hora, desde o início até o fim da totalidade, e vai ser um eclipse provavelmente muito escuro. Então esse próximo eclipse é um eclipse curioso”.
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